Como criar seu próprio game

Tiny and Big, do estúdio alemão Black Pants, que decidiu apostar em engine própriaComo Fazer um Jogo

Provavelmente, em algum momento de devaneio ou de brilhante inspiração no chuveiro, qualquer jogador já pensou em um game ideal. Uma história empolgante, personagens fortes e bom nível de entretenimento. Por que então não colocar a mão na massa e torná-lo real? A seguir vamos percorrer os elementos básicos na jornada de se tornar um desenvolvedor independente.

O primeiro passo: identificar sua habilidade

Mais que uma grande ideia, o desenvolvimento de qualquer game geralmente respeita sete grandes etapas: design do jogo, programação, design de níveis, arte e animação, áudio e música, narrativa e negócio.

É difícil pensar que algo tão empolgante e explosivo como um game respeite essa ordem de produção quase industrial, mas, na maioria das desenvolvedoras de grande e médio porte, as etapas são muito bem respeitadas. “Geralmente um estúdio gasta um grande esforço na engine, no código e jogabilidade. Quando chega a hora da narrativa, apela para um grande artista gráfico para juntar todos os elementos necessários da história com animações”, diz Talita Goldstein, brasileira e produtora da Minority, do game Papo & Yo.

Se ao ler os termos “engine”, “jogabilidade” e “código” formou-se um nó em seu cérebro, provavelmente será necessário avançar em leitura e pesquisa para se familiarizar um pouco com os bastidores dos jogos. Atualmente, grandes games são produzidos utilizando kits de desenvolvimento, como Unity 3D, UDK (dos responsáveis pelo game Unreal) e Cryengine (da Crytek, do game Crysis). Esses kits criam toda a ambientação básica de programação e são como o esqueleto ou a infraestrutura do jogo. Através deles é possível desenvolver um game e migrá-lo automaticamente para várias plataformas (com os devidos custos).

Além da vantagem de driblar as dificuldades iniciais de programação, os kits possuem uma grande comunidade de desenvolvedores, com tutoriais, aulas e complementos para tornar a vida do designer bem mais simples. Outro incentivo, como no Unity 3D, é o custo zero. A solução é gratuita para os desenvolvedores independentes e, dependendo do tamanho do projeto, os custos de migração de plataforma não são tão altos.

Por outro lado, se desenvolver toda essa estrutura faz parte do seu objetivo como programador, é possível começar praticamente do zero, seja seu game feito em flash, Java ou C#. Aqui o válido é não complicar. Escolha a linguagem de maior familiaridade e veja o que é possível fazer com ela.

Desenvolver uma engine própria pode trazer bons resultados. Essa foi a aposta do estúdio Black Pants, que apresentou o curioso Tiny and Big no festival independente BIG, em São Paulo.  “Fizemos tudo do zero. Desde a engine até a arte final. Ninguém do time tinha trabalhado com games. Se soubéssemos o quão difícil, teríamos optado por Unity 3D ou outro caminho menos problemático”, confessa o alemão Florian Grolic, responsável pelo design do game.

Para todos os efeitos, Florian explica que não basta ser um cara com uma ideia, é preciso ser “corajoso e identificar qual sua ambição, seu desejo e perseguir seu sonho”.

Parcerias fundamentais

Não há como escapar. Sem uma grande compreensão de programação, dificilmente um game sairá do papel. A não ser que você seja um gênio computacional e ao mesmo tempo criativo, será necessário buscar apoio em outras pessoas. O crucial para um time é que ele seja complementar. “Também é importante encontrar pessoas que você se dê bem em relação ao trabalho. Buscar amigos pode ser um erro, pois normalmente acontecem frustrações pelo caminho e discussões são inevitáveis”, diz Grolic.

Por outro lado, é preciso encontrar uma sintonia. Em geral, ela surge da familiaridade de cada um com o projeto, ou mesmo de valores fundamentais. “Na Minority todos compartilham seus esforços. Mesmo com 15 funcionários e propostas de crescimento, não abandonamos nosso funcionamento indie. Isso é o que nos faz trabalhar com prazer”, comenta Talia.

Outro ponto importante é o custo. É provável que um primeiro game não vá consumir mais poder de processamento que o seu próprio PC de casa, principalmente se você trilhar por um caminho mais simples – como desenvolver um game para web em Flash ou mesmo algo mais simples para smartphones.

Quando as proporções são ampliadas, mais dinheiro vai ser necessário. Se o seu projeto é genial, um ótimo time foi escalado e tudo está funcionando como deveria, mas, faltam aqueles dólares para desenvolver mais os personagens ou mesmo migrar a plataforma, chegou o momento de caçar um investidor. Nem sempre um programador é um bom marqueteiro. Nesses casos, é importante ter um bom porta-voz, em especial na hora de apresentar seu game para um possível investidor.

Buscando formação

Com um número já interessante de faculdades de desenvolvimento de games, o Brasil está se tornando um território promissor. Cursos de games, como o da Fascisa, em Campina Grande (PB), estão surgindo com projetos recheados de cultura local, inovação e qualidade técnica.

Se desenvolver games é sua paixão – e, depois de um test drive de maneira independente, você acha que leva jeito – analisar os cursos e seus programas de ensino pode ajudar a sanar deficiências conceituais, de programação, modelagem e outras.

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